domingo, 28 de fevereiro de 2010

Tautologia Lusitana

Não querendo, caros leitores, incorrer em sobranceria e prentensiosismo, deixo já uma declaração de princípio: Não pretendo imiscuir-me no campo de actividade de tão doutos sábios, esses "cientistas sociais" que se limitam a colar etiquetas e a dar nomes pomposos a factos que são por demais evidentes ao mais inculto dos intelectualmente indigentes.

Tendo este ponto como assente, e ressalvando a minha ignorância cientifica, queria passar a contar uma história que aconteceu com duas pessoas que conheço, que conheço bem aliás.

Dois amigos decidem ir dar uma volta à noite, um hábito comum e reiterado, como habitualmente se designa por "ir sair à noite" ou "beber um copo".
Vão a um bar, de seguida a uma discoteca onde encontram outros amigos, todos se divertem (na medida do possível) e, inevitavelmente, é hora de voltar.
Os dois amigos não estão claramente em condições de conduzir, sendo que um tem muito mais experiência automobilística e voluntaria-se para o fazer. O outro acata a sugestão e juntos seguem caminho para casa, para uma repousada e ronceira noite de sono.

Eis que não quando, e qual Lei de Murphy, uma das piores soluções ou desfechos para essa noite acontece: são mandados parar numa "Operação STOP".
Aqui nos perguntamos: "Mas será que não era expectável que assim o fosse? Será que foi ajuizado conduzir correndo o risco de ser apanhado pela policia ou maxime poder injuriar fisicamente alguém?". Não resta mais do que dizer sim a ambas as perguntas, ressalvando-se contudo o desfecho da história, que apesar de não fazer sentido num Estado de Direito Democrático serviu a estes dois jovens de lição... mas pelas piores razões possíveis.

Retomando então a história, encontram-se os dois amigos na dita operação policial. Long story short um deles, o condutor, é levado para a esquadra a fim de proceder à despistagem quantitativa da alcoolemia . O outro, que tinha ficado no carro, com o passar do tempo indaga-se do paradeiro do seu amigo e da sua estranha delonga. Sem mais decide ir procura-lo.
Quando chega à porta da esquadra assiste a uma, aparentemente calma, troca de argumentos que num ápice descamba num jogo de insultos e culmina em actos de agressão por parte dos agentes da autoridade. Esse amigo que havia chegado recentemente tenta, incrédulo, socorrer o outro que estava no chão a ser agredido por aqueles que supostamente nos deviam proteger de agressões. Tudo isto se processa e os amigos vêm-se notificados e sediados num processo dum crime que não cometeram, o de agredir policias à porta duma esquadra, veja-se.

Poderíamos pensar que se trata de dois amigos problemáticos, com um passado difícil e carente de educação e de valores. Mas não, são dois estudantes universitários que partilham dos mesmos valores e da mesma maneira de encarar a vida, e que, sabem os seus limites democráticos e sociais.

Esta história para mais não serve do que para evidenciar a redundância e a repetição que é a sociedade portuguesa.
Os agentes policiais, sem prejuízo dos bons agentes, são em regra pessoas que por força das circunstâncias, ou por falta delas, seguiram essa carreira. A mais não se lhes pede do que respeito aos cidadãos, aos mais bem sucedidos e aos menos bem sucedidos.
Não esperamos que sejam todos putativos vencedores de prémios Nobel nem astrofísicos licenciados no M.I.T., mas era de bom tom que no mínimo percebem-se que estão munidos de armas quando falam com cidadãos que não estão sequer ao mesmo nivel em termos de preparação fisica ou seja o que for.
E isto é assim e há de ser sempre assim, infelizmente. Há falta de educação em Portugal, cívica e técnica, e para se perceber isso basta sintonizar a AR Tv e observar isso mesmo durante 5 minutos. Se no orgão de soberania máximo que é a Assembleia da Républica é assim, imagine-se nos peões da democracia que são os polícias.

"O homem é um animal gregário" dizia Aristóteles. Pois bem, deve haver muita gente que não quer fazer parte desta sociedade, onde a insegurança é avassaladora a todos os níveis. Desde a base (a policia) até ao garante máximo da liberdade e da igualdade dos cidadãos (os tribunais).

E assim, por este e por outros exemplos, chegamos a uma tautologia muito portuguesa...

"Portugal está um caos"

2 comentários:

  1. Das uber post! Eu sou amigo dos dois envolvidos na historia e vi como as bestas da esquadra do calvário (á porta da esquadra) deixaram as costas de um deles. Uma vergonha para o país.

    ResponderEliminar
  2. Vocês deviam era levar onde levam as galinhas seus papa milho.
    E olha para além " de dares uma no poste" tenta acertar num buraco, sempe te arrepias mais um bocadinho.

    Zé Trave

    ResponderEliminar